Praticar atividade física regularmente é sempre uma boa opção. É essencial para prevenir diversas doenças como hipertensão, obesidade, diabetes mellitus, câncer e doenças cardíacas. Mas isso não significa que ela não ofereça riscos para a coluna, principalmente ao considerarmos a prática esportiva de forma recreativa. Por isso, antes de tirar a chuteira do armário e se embalar no ritmo da Copa do Mundo, acompanhe este artigo para entender sobre o futebol e as lesões na coluna.

Praticar esportes de alto impacto de forma inadequada, sem a assistência de um profissional qualificado, pode ser prejudicial à saúde, levando até mesmo ao abandono precoce do esporte e da atividade física. Diversos tipos de lesões podem surgir devido a fatores intrínsecos, aqueles relacionados ao atleta em si, e extrínsecos, aqueles relacionados a condições externas.

São considerados intrínsecos fatores como idade, sexo, condição física, desenvolvimento motor, alimentação e questões psicológicas. Já os extrínsecos estão associados às exigências de cada esporte, como por exemplo o tipo e a qualidade do equipamento utilizado, a organização e a carga de treino, as exigências da competição e as condições climáticas.

A experiência na prática esportiva e o número de horas de treinamento na semana também podem influenciar e cada esporte pode induzir a tipos específicos de lesões. Por exemplo, em esportes sem contato, como tênis, natação, atletismo e ginástica, as tendinites são mais comuns. No caso do futebol, esporte de contato, as lesões provocadas por traumas são mais presentes.

Especificamente sobre as lesões na coluna, a região lombar é a que mais sofre nos esportes de impacto, principalmente os que exigem movimento de flexão-extensão, rotação do tronco e carga axial provocadas por saltos. Em grande parte das vezes a dor surge de forma aguda, provocando limitações por danos nos ligamentos e músculos paravertebrais. Quando os sintomas se tornam persistentes, podemos suspeitar de outras hipóteses diagnósticas associadas, como as doenças degenerativas do disco e a espondilólise.

Espondilólise é uma espécie de defeito ósseo em uma parte de vértebra, o arco neural posterior. A hipótese é que a dor seja causada por fratura por estresse devido a sobrecarga. Alterações anatômicas e biomecânicas do posicionamento do sacro em relação ao solo, grau de lordose, espinha bífida oculta e história familiar são outros possíveis fatores que influenciam o desenvolvimento da espondilólise

A suspeita dessa patologia surge quando praticantes de esportes de alto impacto relatam dor lombar do tipo mecânica, que aparece com o movimento e que piora com a extensão da coluna e o encurtamento dos músculos localizados na parte de trás da coxa, os isquiotibiais. A radiculopatia é um sintoma raro, mas possível, devido à proximidade da raiz nervosa com o processo inflamatório. Para confirmar o diagnóstico são usados exames complementares, tais como a radiografia simples, a tomografia computadorizada e a ressonância magnética.

O tratamento dessa lesão é preferencialmente conservador, com uso de colete lombar por curto período, redução qualitativa e quantitativa da atividade física e fisioterapia para estabilização segmentar tanto da musculatura superficial quanto profunda. A maioria dos casos respondem bem clinicamente, mesmo sem alterações radiográficas, quando comparados ao quadro inicial. Casos com espondilolistese e instabilidade significativa podem ser tratados cirurgicamente com a artrodese segmentar.

Importante lembrar: para a prática esportiva, procure um profissional habilitado para te orientar e, em caso de dor, um especialista em coluna poderá avaliar o seu caso.


Dr. Rafael Barreto – CRM/SP 122.568
Dr. José Carlos Barbi – CRM/SP 32.705
Dr. Alexandre Jaccard – CRM/PR 27.412 / CRM/SP 116.476
Dr. Ricardo Acácio – CRM-SP 225.318 / CRM-SC 12.732 / CRM-PR 21.521
Dr. Fernando Herrero – CRM 112.5376